THIAGO NASSIF - PRAXIS   PAC   ''BRA''

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THIAGO NASSIF - PRAXIS PAC ''BRA''

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O disco é duplo. Chama-se Práxis – Ato I e II. Ao abri-lo, abre-se um mundo: primeiro o interior da capa, uma obra à parte, um mapa visual do caminho sonoro, apontando referências, escondendo tesouros – estes só revelados no ato da escuta. Abrir um mundo não significa recebê-lo. Há que abrir-se antes. E é essa a palavra que me vem à mente, a primeira palavra que me surge ao tentar descrever o trabalho sonoro de Thiago Nassif: a b e r t u r a . Trata-se de um trabalho que realmente se oferece, inteiro, em dois álbuns complexos e de diferentes propostas de percursos sonoros… E antes que eu embarque em um discurso publicitário, como se quisesse convencer a você, leitor, a “comprar” essa ideia, aviso que partirei para o improviso. Quando fui convidada a escrever para esse blog, minha primeira reação foi de espanto, afinal, nunca escrevi publicamente sobre nada e considero meu conhecimento musical um tanto quanto desatualizado (ainda passo muito tempo a peneirar o essencial do excesso... E confesso que em tempos de facebook, muito me acessa, mas quase tudo me ultrapassa). Escrever sobre o quê? Sobre quem? Posso falar dos meus amigos? Devo falar dos meus amigos músicos…? Ética, crítica, estética... E assim vai se tornando cítrica a escrita que era doce… E começa a pegar nos cantos da língua antes mesmo que eu ouse dizer. Meditei no mantra de Leminski, e assim, “depois de muito meditar, resolvi editar, tudo o que o coração me ditar”.) Conheci o Thiago Nassif num grupo de estudos de arte guiado pelo artista plástico e professor Rubens Espírito Santo. Até então pensava que Thiago fosse artista plástico. Segui pensando assim até que, dois anos depois, quando já vizinhos de atelier, ele me convidou para gravar vozes em duas faixas do álbum que estava produzindo. Fizemos no estúdio a primeira escuta do trabalho completo e percebi ali a forte plasticidade das músicas, as imagens que surgiam a cada inserção instrumental ou as interferências de gravações de campo que pontuavam o espaço, apontando percursos de escuta e suas imagens. Depois de pronto o trabalho, pude escutá-lo com calma e logo dois nomes me seguiram durante a experiência. Moondog e Smetak. Moondog foi um compositor excêntrico, nascido em 1916, em Kansas. Cego desde os 16 anos, foi autodidata e escreveu suas criações em braile. Aos 27, decidiu mudar-se para Nova York e viver nas ruas, tocando sua composições aos passantes, numa esquina que ficou conhecida como Moondog's Corner. Suas composições incluem sinfonias, batuques feitos nos instrumentos que construía, conversas, e outras inserções que tornam sua música complexa na diversidade da obra total ao mesmo tempo em que faixa a faixa, mantém-se o espírito de “esconder a arte, o efeito máximo, mas com meios mínimos”, nas palavras do próprio, sobre sua busca como criador. Walter Smetak, outro músico difícil de definir, nasceu na suíça em 1913 e naturalizou-se brasileiro em 1968. Nos anos 60 sua pesquisa em música experimental chamava-se “Iniciação pelo Som”, e a partir dessa interpretação ritualística nascem também as “Plásticas Sonoras”, que refletiam sua vontade de integrar a música e as artes plásticas. Acrescentando as cores às construções de seus instrumentos, buscava a simbologia de planos de uma mente cósmica, voltada para a expressão da sabedoria transformada em ação. Sua música influenciou a geração tropicalista de músicos que escutavam seus pensamentos sobre improvisação, elemento que ele considerava essencial na cultura brasileira. Volto para escutar Thiago Nassif e seu trabalho de nome Práxis. A prática a qual o título se refere me parece muito próxima desta que Smetak propunha, com relação à expressão de uma escuta aberta à complexidade da vida e seus sons. Ouve-se a cada faixa um pedaço de paisagem, que não vêm da paisagem que se vê confortavelmente emoldurada pela linha do horizonte. Para absorvê-las é preciso caminhar dentro delas, pois nada fica de relance, facilmente dado como tantos postais de viagens que não fizemos a não ser pelo instantâneo do já visitado. “Falar sobre música é uma besteira. Executá-la é uma loucura”, Walter Smetak.

Informação Adicional

Artista THIAGO NASSIF
Formato da Mídia CD
Descrição destaque N/A
Origem BRASIL
Nº de Faixas 22
Código Identificador (SKU) 125717

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